quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Prof. Guto Magalhães fala sobre a posição do PCdoB na eleição da mesa diretora da Câmara dos Deputados

Prof. Guto Magalhães é Sec. de Organização do PCdoB - Tucuruí/PA

A eleição para a presidência da Câmara já foi decidida quando os conservadores obtiveram maioria esmagadora no pleito de 2014. A disputa que se aproxima será decidida inexoravelmente entre os “golpistas”, provavelmente entre Maia (DEM – RJ) e Jovair Arantes (PTB – GO). Isso é fato!
É preciso lembrar ainda que a eleição para a presidência da Câmara não se decide pelo voto popular. É um cenário totalmente diferente e com características peculiares. Não podemos ter ilusões.
A veia esquerdista que volta a pulular no PT e PDT, lançando uma candidatura simplesmente para “marcar posição”, levantando um falso debate onde a palavra de ordem é “NÃO VOTO EM GOLPISTA”, é no mínimo, incoerente para não dizer irresponsável. Juntando os dois partidos, a candidatura de André Figueiredo (PDT) soma apenas 79 votos. Isso se as bancadas não racharem, como é de costume.
Com essa bravata o que pode acontecer é que o PT pode perder sua posição na mesa diretora a que tem direito por ser a segunda maior bancada. Abrir mão disso por uma aventura é que é colaborar com o golpismo.
Diante desse cenário, o PCdoB vem debatendo com amplos setores, inclusive com Maia. O objetivo é buscar uma Câmara mais autônoma e coerente na medida do possível. O resultado já está mais ou menos definido: perdemos. O que nos resta é, diante do cenário apresentado, pensar a melhor estratégia. Vamos repetir a última eleição em que o PT lançou a candidatura de Arlindo Chinaglia sabendo que ia perder e dessa forma colaborou com a vitória de Eduardo Cunha, que fez o que fez na presidência? Lembre do Impeachment, mais conhecido como Golpe Parlamentar.
Vendo essa situação lembro de outra falsa polêmica que se levantou em torno do apoio ou não da esquerda à candidatura de Tancredo Neves à presidência em 1985. O PCdoB não só apoiou como foi decisivo na articulação, afinal a disputa se daria no colégio eleitoral, entre parlamentares que, na maioria apoiaram a Ditadura Militar. Naquele momento o PT tomou uma posição esquerdista e se retirou da votação por que não admitia uma eleição presidencial que não fosse pelo voto direto. O resultado final, como todos sabem, foi a vitória de Tancredo no campo do próprio adversário e a derrota definitiva da Ditadura.
É por isso que devemos analisar o momento com mais frieza, coerência e compromisso. Nosso partido completará em março próximo 95 anos. Enfrentamos os coronéis, as Ditaduras do Estado Novo e Militar, vivemos a maior parte de nossa existência na clandestinidade e no momento certo, no Araguaia, até pegamos em armas para defender a democracia. Sabemos muito bem que não se faz política com a cabeça quente e a veia do pescoço tufada. Vamos em frente por que a luta não para!


Prof. Guto Magalhães
(Sec. de Organização do PCdoB – Tucuruí)

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