sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ex-servidora compara sua situação na Prefeitura de Tucuruí a trabalho escravo

Augusto Magalhães
Clique aqui para acessar, curtir e compartilhar o protesto de dona Katiuscia
Depois de tentar de todas as maneiras receber salários atrasados, férias e o décimo terceiro, dona Katiuscia Carvalho recorreu à uma rede social para tornar pública sua situação e protestar contra o que considera trabalho escravo por parte da Prefeitura Municipal de Tucuruí (PMT).

Num ato de desespero ela postou uma foto onde aparece com o documento de pedido de exoneração nas mãos e uma corrente e um cadeado no pescoço. Na legenda ela diz: “Me sinto no tempo da escravidão. É esse o tratamento que a Prefeitura de Tucuruí dá para seus funcionários públicos, sem pagamento de férias, 13° salário e ainda diz que pode procurar a imprensa. São 5 meses esperando o acerto de minha rescisão e nada. É uma vergonha e falta de respeito aos direitos dos trabalhadores”.

Nossa equipe entrou em contato com dona Katiuscia, que nos contou que vem há cinco meses tentando receber a quantia de R$ 5.900,00 que ficou pendente após ter pedido exoneração da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no dia 1º de outubro de 2014 para assumir uma vaga para qual prestou concurso no município de Canaã dos Carajás.

Ela resolveu sair de Tucuruí para acompanhar o marido, que não conseguia emprego por aqui. Outro motivo, segundo ela, é que não aguentava mais as condições de trabalho, pois falta de tudo nos postos de saúde e demais estabelecimentos de competência da Secretaria. “Cheguei a levar Quiboa e desinfetante de casa pra poder fazer a limpeza e receber os pacientes. Até saco de supermercado eu levava pra forrar a lixeira”, disse. Dona Katiuscia trabalhava ultimamente no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO).

Dona Katiuscia diz que se sente humilhada após várias tentativas de receber o que tem direito. Ela cita um senhor conhecido como PJ e outro de nome Cristiano, que sempre a mandavam retornar em datas diferentes, mas nada resolviam.

Segundo ela, chegou inclusive a falar com o secretário de saúde, Dr. Charles Tocantins, que a teria tratado com desdém, já não atende mais seus telefonemas e vive viajando. Ao ouvir de dona Katiuscia que iria denunciar o caso na imprensa em rede nacional, Tocantins teria respondido simplesmente que o fizesse. Katiuscia atribui o pouco caso à certeza de impunidade que reina em Tucuruí, que segundo ela é “terra sem lei”.

Perguntada se não temia represália, dona Katiuscia disse que não, que se sente bem em ter feito o protesto. Pede que pessoas honestas e trabalhadoras como ela não se humilhem mais diante dos desmandos do prefeito e seu secretariado. “Acredito que se todo mundo tivesse coragem e fizesse o mesmo, denunciando os abusos que sofrem, não teríamos nosso município na situação em que se encontra hoje”.

Mesmo após se manifestar nas redes sociais, dona Katiuscia diz que ninguém resolveu o problema ou mesmo entrou em contato. Ela pede ainda que o máximo de pessoas curtam e compartilhem seu protesto para que chegue ao conhecimento da grande imprensa ou de alguma autoridade capaz de tomar uma atitude.


O outro lado

Nossa equipe entrou em contato também com o secretário de saúde de Tucuruí, Dr. Charles Tocantins para ouvir o que tem a dizer sobre o caso. Ele teve acesso a uma previa dessa reportagem e respondeu dizendo que o poder público não é empresa privada e que por isso paga as contas conforme orçamento e prioridade. Disse ainda que o caso de dona Katiuscia está na fila de rescisão, sendo que ainda não foi empenhado e que assim que tiver orçamento e for a vez dela a dívida será paga. 

O secretário contestou ainda que o processo tenha cinco meses. “Veja como é errado: entre 1º de outubro e janeiro tem quatro meses e não cinco. Ainda estamos em fevereiro. Ela saiu em 1º de outubro e até o processo transitar para fazer a rescisão já foi novembro. Assim, entrou na fila em dezembro. Mas é isso, quem gerencia recursos públicos acaba sendo vilão para pessoas que não têm conhecimento da gestão pública. Bem, é compreensível!”, completou.

Um comentário:

Anônimo disse...

Dois pesos e duas medidas: Se fosse um apadrinhado do prefeito já teria recebido não só essa quantia, mas muito mais. Senhor secretário, a máquina pública pode não ser mesmo uma empresa pública, mas deve dar exemplos de boa conduta e também não é pra ser administrada por incompetentes e irresponsáveis com o dinheiro daqueles que bancam essa farra com nossos recursos. É preciso sim ter mais respeito com as pessoas e não injustiçá-las e depois ainda chamá-las de burras. FORA SAMPETA E SEUS ASSECLAS!