sábado, 14 de fevereiro de 2015

Esquecida, Vila Peniel, em Tucuruí, reivindica melhorias

Moradores têm casas alagadas após terraplenagem desastrada
Por Midson Cardoso*

Surgida em 2009 na confluência entre os bairros Luz e Liberdade, Nova Matinha e Jardim Marilucy a Vila Peniel é uma comunidade formada por cerca de 130 famílias localizadas atrás do estádio Navegantão, que tem sido palco de grandes jogos de futebol em Tucuruí.

A Vila também está localizada próximo a uma lagoa, cujas águas sempre foram direcionadas para o Igarapé da 7 de setembro, mas que depois de um trabalho de terraplenagem mal feito por parte prefeitura para construção de um posto de saúde, vem causando transtornos ao invadir as casas dos moradores, principalmente quando o inverno se torna mais rigoroso.

Durante a campanha eleitoral de 2008, o atual prefeito, Sancler Ferreira, mandou cadastrar as famílias que seriam, segundo ele, relocadas para um loteamento habitacional. Seis anos depois o problema persiste.
Mobilizada, a comunidade procurou, por diversas vezes, ajuda na secretaria de obras do município, tentando solução para o caso. Sem sucesso, recorreu aos veículos de comunicação locais, onde também já se manifestou.

Convidado por moradores, estive na área com as lideranças comunitárias, somando forças para uma solução junto à prefeitura. Após uma reunião no local, decidimos por encaminhamento de um ofício solicitando a presença do gestor ou de um representante do executivo para averiguar o problema, já que todas as tentativas de soluções anteriores haviam sido feitas verbalmente. Mais uma vez, no dia e horário encaminhados no documento, os moradores se reuniram no local à espera do representante do executivo que não apareceu e nem pelo menos se manifestou a respeito do assunto.

Uma senhora que há anos mora no local, Dona Jucelina (58), me disse que nunca havia presenciado uma situação como aquela. Dizia ela: “Aqui nossas crianças convivem, com cobras, larvas e até um jacaré já foi apreendido pelos moradores. Nós não queremos conviver mais com essa situação, o que queremos é uma atenção melhor por parte do prefeito”.

Há poucos metros do local, grandes jogos de futebol do campeonato paraense, competições nacionais e outros eventos são transmitidos para o Pará e o Brasil, em divulgações que contrastam (e muito) com o problema vivido pelos moradores. A cada chuva, novos transtornos e prejuízos materiais são causados.
Para completar, o governo federal disponibilizou recursos para construção de mil casas num bairro próximo, com o objetivo de solucionar problemas desta natureza. Entretanto, as obras encontram-se totalmente paralisadas, com as casas inacabadas e cobertas por vegetação.

Como não houve manifestação da prefeitura em nenhuma das tentativas anteriores, e diante do indício da inoperância do poder público para com o caso, uma comissão de moradores foi criada para procurar o Ministério Público Estadual (MPE) com o objetivo de fazer com que o prefeito de Tucuruí cumpra aquilo que é a sua obrigação: Atender a população e tratar os problemas emergenciais de forma mais urgente, como requer cada situação”.

A solução é simples. Sabemos que a relocação dos moradores para outra área é um problema de maior complexidade e não é isso que está sendo reivindicado neste momento. O que queremos é drenar para o canal da Av. 7 de setembro a água presa pelo aterro que a prefeitura executou, como funcionava antes da obra de terraplenagem. O que não podemos é assistir de braços cruzados mais esse descaso com a nossa população, que é quem paga o salário do prefeito e todas as despesas decorrentes dos serviços realizados pelo poder público.

Precisamos acabar com a ditadura em Tucuruí e discutir nossos problemas de maneira democrática ouvindo nossa população, afinal isto é cumprir a nossa constituição em seu parágrafo único do Art. 1º: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Os moradores planejam agora uma grande manifestação popular caso não haja avanços após a intervenção do MPE no caso, pois apesar de serem moradias construídas em área imprópria, essa responsabilidade é também do poder público devido a ineficiente fiscalização e pouca participação nas políticas públicas urbanas que movem esse tipo de situação.

* Midson Cardoso é engenheiro civil e professor do IFPA-Tucuruí

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