segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Análise: o recado das urnas

Presidenta Dilma se pronuncia após a confirmação da reeleição e pede unidade nacional
Encerra-se mais um ciclo de nossa ainda jovem experiência democrática. As eleições de 2014 se completaram nesse dia 26 de outubro e trazem muitos recados para o Brasil, o Pará, o mundo e também para Tucuruí, por que não? Nos cabe agora fazer uma análise o mais apartada possível da emoção, calcada na realidade objetiva e com a coerência do materialismo dialético. Então vamos tentar fazer isso de forma também didática.

 O BRASIL
O resultado apertado, com apenas 3,28% de diferença mostra a princípio um fortalecimento ainda maior da oposição e um desgaste do grupo que dirige hoje o planalto, apesar dos inegáveis avanços obtidos nas áreas econômica, social e da projeção do Brasil no cenário internacional.
A presidenta Dilma acerta quando, em seu pronunciamento, chama o país ao diálogo e propõe a unidade nacional em torno dos interesses da nação. Isso é o que se esperava dela como candidata reeleita e mais ainda como estadista.
A disputa foi acirrada, os ânimos se exaltaram a ponto de expor um Brasil que vive intensamente a luta de classes. Temos um governo popular nucleado pela esquerda, mas que ainda depende de alianças frágeis e contraditórias para sobreviver e fazer vingar seu projeto de mudanças na infra e na superestrutura econômica e social.
O chamamento à unidade e ao diálogo é imperativo. Afinal, a quem interessaria a desordem e o não desmonte dos palanques? Dilma, o PT e seus aliados de primeira hora, como o PCdoB, se apressam nesse caminho e estendem a mão numa demonstração de coerência e lucidez diante do momento histórico vivido.

O MUNDO
No cenário internacional essa quarta vitória do projeto da esquerda brasileira significa que o país vai continuar avançando na política acertada de aproximação com os países em desenvolvimento, como bem demonstra a nossa participação no BRICS, e de afastamento do mundo em crise (leia-se EUA e Europa Ocidental); que vamos fortalecer ainda mais o Mercosul, onde somos a principal economia; que o Brasil deve avançar à quinta maior economia até 2016, como previu o próprio FMI; que continuaremos sendo referência mundial no combate às desigualdade sociais.

O PARÁ
Para o nosso estado o resultado das urnas foi o pior possível, pois consolida a hegemonia tucana e sua política excludente numa sociedade ainda com graves problemas em todos os setores, inclusive o social
A vitória também apertada de Jatene sobre Helder apenas lança uma semente de esperança para o futuro, com o surgimento de uma nova liderança que se coloca para uma futura disputa, mas que desde já parece ameaçada pelo renascimento do petista Paulo Rocha, que deve querer se colocar também na corrida pelo governo do Estado.

TUCURUÍ
Não dá para negar que essa vitória, mesmo apertada, de Jatene fortalece o grupo que está na prefeitura atualmente. Se a vitória fosse de Helder, com toda certeza, a oposição, seja petista ou peemedebista, estaria mais perto de uma vitória em 2016.
Mas política não é uma ciência exata como a matemática. Aqui um mais um pode não ser dois. Temos que observar um dado importante: quando pegamos o resultado das urnas no município, vemos que Jatene sofreu uma esmagadora derrota.
Helder e seu grupo foram vencedores nos dois turnos, primeiramente com 66,17% a 31,28 % e depois com 61,40% a 36,60%. Vendo por esse lado, podemos dizer que Tucuruí disse um sonoro não ao continuísmo no Estado e que isso pode significar um não também ao continuísmo em 2016.

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