sábado, 12 de janeiro de 2013

Visitando Baião - Parte II

A igreja matriz, de Sto. Antônio, é talvez o principal cartão postal de Baião e fica numa praça no centro da cidade. É lá que a população celebra os casamentos, batizados e aos domingos participa da missa.

Como ia dizendo, Baião é um lugar de gente hospitaleira e de bem com a vida. Também não poderia ser de outra forma, pois do alto dos seus 30 metros do nível do mar se pode apreciar a bela paisagem tipicamente amazônica proporcionada pelo Rio Tocantins, que banha o município.
O início da colonização de Baião (já era habitado por índios) data de 1694, quando o português Antônio Baião recebeu aquelas terras como sesmaria com a missão de fundar uma vila. No início foi apenas um entreposto no comércio com o Alto Tocantins. Somente em 1833 foi elevado à categoria de vila, tomando a denominação de Nova Vila de Santo Antônio do Tocantins. Logo instalou-se também, naquele mesmo ano, uma Câmara Municipal. Oito anos mais tarde foi rebatizado, tomando a nomenclatura atual1.
Com um extenso território, que já foi bem maior, chegando até a englobar Tucuruí, emancipado em 1947, o município possui uma Sede com ruas pavimentadas no centro e um pequeno comércio em crescimento. Novos bairros surgem alargando a periferia, que, é claro, vem crescendo com todos os problemas típicos de uma cidade brasileira. Porém, no geral, Baião me pareceu bem cuidada pelo prefeito Nilton Farias (PT), popularmente conhecido como Saci, tanto que recebeu do povo o reconhecimento na última disputa pela prefeitura, quando os baionenses o reelegeram.
O aceso à cidade ainda é uma complicação, mas vem melhorando. Até bem pouco tempo somente de barco era possível chegar a Baião. Mais recentemente, com a abertura de novas estradas, principalmente a Alça Viária e a PA-151 passou-se a utilizar também a via terrestre, o que vem despertando um outro fenômeno já comum nas cidades ribeirinhas da Amazônia que ganham estradas: a cidade está, aos poucos, dando as costas para o rio. Uma pena.
Mesmo utilizando-se o transporte rodoviário, que só é vantajoso para quem parte da capital, Belém, não escapamos de duas travessias de balsa. São travessias pequenas, que poderiam ser feitas a nado, e que poderiam encurtar a viagem se o Governo do Estado tivesse planejado pontes ao construir a estrada. Num momento atípico (véspera do ano novo) fiz esse trajeto em nada menos que 10 horas. Ainda assim foi mais confortável que indo de barco.
Nos barcos a população transporta de tudo. Na maioria das vezes sai mais barato comprar em Tucuruí que na própria praça da cidade. O municipio é uma referência para os baionenses que possuem aqui uma grande comunidade.
Na volta para Tucuruí, onde moro (meu roteiro foi Tucuruí–Belém, Belém–Baião e Baião–Tucuruí), minhas opções eram a estrada Baião–Breu Branco (que não está asfaltada e não possui linha comercial de transporte. Essa foi descartada) e o transporte fluvial, que conta com um pequeno barco que sai duas vezes por semana de Baião; outro diário que, vindo de Cametá, passa na cidade por volta das 16 horas; e uma lancha, que o povo chama de “voadeira”, e que também parte de Cametá todos os dias pela manhã, passando por Baião lá pelas 8:30 h.
Optei pela voadeira e tive que “curtir” quatro horas de viagem em pé num ambiente com pouca ventilação e espaço para circular. Somente a beleza natural da paisagem aliviava um pouco o sofrimento. Quem opta pelo barco não tem sorte muito diferente, porém pode viajar deitado numa rede após uma boa disputa por espaço.
Ao chegar às margens do Tocantins, em Baião, temos que enfrentar uma subida de 30 m. O mais interessante é que lá em cima a cidade é plana.
Apesar dos transtornos da viagem, vale a pena incluir Baião no seu roteiro de viagem, principalmente se você, assim como eu, tem vontade de conhecer mais o Pará. Chegando lá não deixe de tomar um banho no Rio Tocantins. Existem vários locais bons para isso, principalmente se atravessar para a outra margem, onde a areia fina forma belíssimas praias na maior parte do ano.
Outra dica é navegar no rio olhando a cidade de outro ponto de vista e observando a vida pacata do ribeirinho, que pesca e passa de lá pra cá e daqui pra lá naquele rio que é a sua rua. Vá e depois me diga como foi.
Outras imagens de Baião
 
Pescador se prepara para colher o que o Tocantins lhe oferece: pescados variados
Num dia chuvoso, típico do inverno amazônico, essa imagem é comum. Um arco-iris se formou na minha frente enquanto esperava o barco para retornar à Tucuruí.
Na Pça. da Luz, no centro de Baião é possivel apreciar uma cena como essa: um Japiim toma conta do ninho que fica numa monumental arvore às margens do rio
Embora seja uma das mais antigas cidade do Pará, a preservação dos prédios históricos não aconteceu. Esse é talvez o mais antigo que consegui perceber. Segundo informações foi a residência do primeiro intendente da cidade, abrigando hoje a Sec. de Assistência Social.
Nessa imagem o trapiche recem reformado, onde a população embarca nas viagens pelo Rio Tocantins
1- Os dados históricos que utilizei nessa reportagem estão no blog cametaoara.

Nenhum comentário: