quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Agropalma compra produção de trabalho escravo


 
(...) Outro exemplo que evidencia problemas na cadeia produtiva do dendê no Pará é o caso do produtor Altino Coelho de Miranda, vice-prefeito reeleito do município de Moju pelo PSB, flagrado duas vezes com trabalho escravo. Miranda é fornecedor da empresa Agropalma, maior do país no setor do dendê.
A primeira fiscalização na fazenda de Miranda, conhecido como Dedeco, ocorreu em 2007 e resultou no resgate 15 trabalhadores. Na época, o Grupo Móvel de fiscalização, composto por cinco auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego e seis agentes da Polícia Federal, iniciou a ação com uma busca por armamentos, já que havia uma denúncia de que os trabalhadores seriam impedidos de deixar a propriedade enquanto tivessem dívidas na cantina da fazenda. No local, foi encontrada e apreendida munição de armas de fogo.
Quanto aos fatores que caracterizaram condições de trabalho análogas à escravidão, de acordo com os auditores, além de alojamentos extremamente precários, os trabalhadores não tinham salário fixo ou carteira assinada, eram obrigados a comprar alimentos na cantina da fazenda, não tinham controle sobre os preços – que eram anotados em caderneta e descontados do pagamento no fim do mês -, não recebiam água potável nas frentes de trabalho, e não recebiam ferramentas, que eram obrigados a adquirir por conta própria. Também foi constatado que um dos trabalhadores se acidentou por falta de equipamento de proteção individual. Nesta ocasião, foram lavrados 25 autos de infração.
Em abril de 2008, o Ministério Público Federal denunciou o produtor na Justiça por prática de trabalho escravo, e em 2009 Miranda foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado. O réu apelou, e o processo se encontra parado no Tribunal Federal Regional da 1a Região (TRF1), em Brasília.
A segunda libertação ocorreu em agosto deste ano, e resgatou 10 trabalhadores. Nesta ação, os auditores fiscais encontraram trabalhadores alojados em um barraco de madeira, coberto de lona, sem paredes laterais, portas, janelas e, principalmente, sem banheiros. O assoalho estava podre, e o telhado de cavaco, em adiantado estado de deterioração, tinha muitas goteiras. Ainda segundo os fiscais, durante a noite, quando chovia, os empregados eram obrigados a levantar de suas redes e protege-las para não molhar.
Já as refeições eram preparadas em um fogareiro improvisado no interior do barraco, não havia mesas, cadeiras, armários e local adequado para armazenar mantimentos. Os trabalhadores comiam sentados no chão, sustentando o prato sobre as pernas. Roupas, objetos pessoais, louças e outros também ficavam no chão. Como não havia banheiros, os trabalhadores tinham que fazer suas necessidades no mato.
O alojamento também servia de galinheiro, e, do lado de fora, o pátio barrento era usado pelos porcos. “A área adjacente à cozinha era alagadiça, na qual acumulavam-se resíduos orgânicos. Essa área era local de recreação dos porcos, que ali banhavam-se na lama, além de ser foco de um odor péssimo. Tal situação expunha os trabalhadores à contaminação parasitária, degradava as condições de trabalho e humilhava os empregados”, afirma a fiscalização.
No campo, os trabalhadores não tinham lugar pra comer, não havia banheiro, kit de primeiros socorros, abrigo contra chuva, e o transporte até a frente de trabalho era feito em um trator sem freio e demais dispositivos de segurança.
Sem carteira de trabalho assinada, no ato da fiscalização os trabalhadores estavam 90 dias sem receber. De acordo com os fiscais, o produtor afirmou que não pagava os funcionários “porque não estavam dando produção”. Também foi constatada escravidão por dívida, ja que os alimentos eram comprados na cantina da fazenda, e as dívidas, anotadas em caderneta e descontadas do pagamento no fim do mes. “Os trabalhadores estão trabalhando por comida, porque chega no dia do pagamento o patrão diz que não tem saldo”, afirmaram os fiscais. Nesta segunda ação do Grupo Móvel, foram lavrados 22 autos de infração.
Procurada pela reportagem, a Agropalma afirmou que, mesmo com todos os problemas, não irá rescindir o contrato com Miranda. De acordo com Túlio Dias, gerente de responsabilidade socioambiental da empresa, a Agropalma tem um contrato de 25 anos com o produtor e, apesar da existência de uma clausula contratual que permite a rescisão em função de desrespeitos à legislação trabalhista, a política da empresa é implementar ações pedagógicas que levem à melhora das práticas dos produtores parceiros. “Cancelar o contrato significaria que estamos correndo do problema, não resolvendo”, justifica Dias. Segundo ele, a empresa também poderia ser questionada na Justiça se resolvesse terminar a parceria.
A Agropalma é signatária do Protocolo Socioambiental do dendê mas, segundo Dias, o acordo tem pouca eficácia uma vez que o próprio governo, seu proponente, nunca implementou mecanismos de fiscalização.
A reportagem tentou entrar em contato com Altino Miranda via a prefeitura de Muju, município do qual é vice-prefeito, mas ninguém atendeu às ligações.
Fonte: trecho de reportagem publicada no UOL (por Verena Glass.)
Clique aqui para ler na íntegra.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Autoridades latino-americanas solidarizam-se com Chávez

Na imagem Cháves, Evo, Lula e Correa. Grandes líderes Sulamericanos
Presidentes de países membros da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) enviaram mensagens de apoio e votos de pronta recuperação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se encontra em Cuba para ser submetido a uma nova intervenção cirúrgica no quadro do tratamento que faz de um câncer.
O mandatário equatoriano, Rafael Correa, viajou na segunda-feira (10) a Cuba para visitar seu colega venezuelano. Ao chegar a Havana, Correa manifestou: "Venho dar um abraço ao presidente Chávez em nome do Equador e de toda a Pátria Grande", acrescentando que se trata de “um gesto de solidariedade com um irmão de coração" (...).
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Cadê a obra que estava aqui?

Essa é a pergunta que muitos moradores estão se fazendo. Durante as eleições de 2012, o barulho dos carros-som incomodavam demais os eleitores. Eu mesmo, que adoro aquela movimentação (eu não sou normal), já não aguentava mais tanta balbúrdia, porém o barulho da “máquina eleitoral” do prefeito soava melodiosa para quem sonhava com aquela obra no seu bairro, na sua rua.
Passado o dia 07 de outubro e vencidas as eleições com uma surra bem dada na oposição, o silencio se fez, as máquinas calaram e a cidade, que mais parecia um canteiro de obras, agora é paz total. Parece até que agora é só vitória.
O “asfalto de qualidade”, por exemplo, que foi anunciado com pompa na rádio oficial, ficou num piche que já está indo embora no sapato. E pra completar, a chuva, que começa a mostrar a cara, promete levá-lo ao Tocantins logo logo.
A situação, já prevista, me faz lembrar aquele caso em que você está no restaurante e o pedido demora. Então o garçom traz pratos e talheres, põe a mesa e você espera mais uma eternidade. A diferença é que mais cedo ou mais tarde a refeição vem.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Sétima Parada Gay anima o domingo em Tucuruí

Movimento LGBT realiza sétima Parada Gay em Tucuruí com muita animação
Por volta das 17 horas o público começou a chegar à Praça Pe. Pedro Hermans, mais conhecida como Praça do Rato. Grande parte pertencia ao ciclo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), porém também estiveram presentes casais heterossexuais e famílias com crianças para apreciar a festa da diversidade e a animação típica dos homossexuais, que desfilaram e se apresentaram “montadas”, como dizia o apresentador, em cima do trio-elétrico.
Protesto contra a Homofobia
Sem citar nomes, um protesto anti-homofóbico foi feito pelo movimento contra um pastor que, candidato nas eleições municipais, teria ofendido a comunidade LGBT.
O protesto confirma que uma das grandes batalhas do movimento para ter os homossexuais reconhecidos e respeitados na sua dignidade humana é travada contra a igreja, pois na sociedade como um todo, o preconceito, aos poucos já está sendo superado.
Depois da concentração na Praça do Rato, a Parada seguiu caminhando rumo às escadarias da Sto. Antônio, onde um palco estava montado para a continuidade da festa.
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sábado, 1 de dezembro de 2012

Escritores brasileiros querem romper isolamento

Marçal Aquino, escritor brasileiro
A literatura brasileira é uma incógnita para a maioria dos leitores de língua espanhola, mas vários autores brasileiros presentes na Feira Internacional do Livro de Guadalajara (oeste do México) disseram que estão decididos a romper esse isolamento crônico.
Dezenas de escritores do Brasil foram enviados pelo governo a Guadalajara para o evento editorial mais importantes da América Latina. No ano passado, apenas dois ou três escritores brasileiros estavam presentes.
"Vivemos isolados e isso não aconteceu agora, foi assim por tanto tempo que parece que a ideia de que não somos latino-americanos é aceita, mas também não somos africanos, nem europeus; somos uma ilha muito solitária no cenário regional", comentou Luiz Ruffato.
"Isso tem que mudar, eu quero que mude e meus colegas que estão na feira e os que não vieram desejam o mesmo", acrescentou o autor de "Mamma, son tanto felice" (Elephas, 2011).
Para alguns escritores como Marçal Aquino (foto), autor de "Receberia as piores notícias de seus lindos lábios" (2005), e Cíntia Moscovich, que escreveu "O reino das cebolas" (1996), o idioma foi a principal barreira para a difusão no espanhol da literatura brasileira.
"Estamos cercados por países que falam espanhol. Outro problema é a localização afastada de nosso país do centro do continente", disse Aquino.
Paula Parisot, Moscovich e Ruffato publicaram livros em espanhol, mas os três reconhecem que não foi um caminho fácil.
Um dos primeiros problemas é que "os editores (de outras regiões) querem literatura com cor local; que tenha sexo, carnaval, praia, coisas exóticas, mas nossa literatura não pode estar presa a isso porque somos um país cosmopolita", disse Moscovich.
Outro obstáculo são as "modas literárias", acrescenta Aquino. "Agora parece que a Ásia é a região favorita dos grupos editoriais e por consequência, dos leitores", mas esse é um problema que pode ser superado, diz.
O desconhecimento de escritores brasileiros fez com que grandes autores como Clarice Lispector, ficassem conhecidos depois de mortos, comenta Iona N. Pieleanu, diretora editorial do selo mexicano Elephas, que têm contratos com dois escritores nacionais.
"Eu acredito que Lispector (autora, por exemplo, de 'Aprendizagem' ou 'O livro dos prazeres', de 1969, publicado em espanhol em 1994 pela Siruela) merecia o Prêmio Nobel, mas o mundo não a conheceu enquanto ela vivia e atualmente há muitos escritores desse país incrivelmente bons", disse Pielenau.
Encontrar tradutores do português para o espanhol para Elephas, uma editora independente e nova, foi difícil.
Selma Ancira, prêmio de tradução Tomas Segovia, instaurado este ano na feira, explica que "o problema da tradução de outras línguas está na complexidade do espanhol, e com línguas irmãs, como o português, o risco de cometer erros é maior porque podem confundir palavras que soam iguais, mas que têm significados totalmente diferentes".
Jorge Castellano, diretor geral de Elephas, disse que depois de uma árdua busca "encontramos um grupo de tradutores do português ao espanhol excelentes, apoiados pela embaixada de Brasil, formados na Universidade Nacional Autônoma do México, assim, estamos prontos para conhecer mais autores brasileiros que mostraram um interesse crescente por sair de seu país".
Fonte: AFP