quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

“Projetos” irresponsáveis prejudicam a qualidade do ensino público

Essa é a realidade da educação no Brasil. Alunos passam de ano, mas não aprendem
No Pará a média para o aluno ser aprovado na Rede Estadual de Ensino é um vergonhoso 5 (cinco) e ainda assim as escolas insistem em fazer projetos irresponsáveis que substituem o ensino em sala de aula por colagens de papel crepom e iupi uha. Há quem defenda “fundamentalisticamente” esses projetos argumentando que o ensino tradicional é ultrapassado e bla, bla, bla... Posso concordar em parte, mas insisto em fazer uma pergunta que considero pertinente: esse aluno, que num projeto desse tipo chegou a receber sete pontos em todas as matérias durante o ano, realmente aprendeu o conteúdo das disciplinas ofertadas? Vou dar um exemplo de uma escola estadual aqui de Tucuruí:
  • Festa junina: 1,0. Aprendeu a armar a barraca e a dançar um forrozinho, mas não sabe fazer uma operação com raiz quadrada e vai levar pau no vestibular;
  • Desfile Escolar: 1,0. Aprendeu a desfilar (será?), mas não sabe escrever nem falar a língua pátria corretamente e vai levar pau no vestibular;
  • Gincana: 3,0. Aprendeu a arrecadar alimento e agitar uma torcida, mas não entende o significado de palavras simples para compreender sua própria história (como democracia, por exemplo) e vai levar pau no vestibular.
  • Oficina de arte 2,0. Aprendeu a colar papel, costurar e bater uns pregos, mas não sabe fazer um cálculo simples de física e vai levar pau no vestibular.
É inegável que o aluno adquiriu algum conhecimento, que alguma coisa foi assimilada, mas será que a função da escola foi cumprida? Não podemos substituir o conteúdo programático por atividades e aprendizados que deveriam acontecer no extraclasse. Esse é um erro brutal.
Um dos resultados sintomáticos que tenho observado nesse último bimestre é o total desinteresse do aluno pelo conteúdo. Tenho ministrado aulas para cinco ou seis alunos em turmas que deveriam ter em média 35 presentes. Por que isso acontece? Por que a maioria já está aprovada.
Levando adiante o raciocínio sobre o caso, podemos chegar à conclusão de que, sendo a média cinco e o aluno recebeu sete pontos de “projetos”, isso quer dizer que ele pode se dar ao luxo de dispensar o ensinamento de um bimestre inteiro (e mais um pouco). Esse bimestre é justamente o último de cada ano. O mais improdutivo.

3 comentários:

Anônimo disse...

E quem disse que as escolas publicas preparam o aluno pro vestibular? Essa foi boa mesmo.

Essas escolas não passam de simples "orgãos certificadores de conclusão do ensino médio", é só ver o Enem, que faz a mesma coisa em apenas uma prova, poupando o aluno de ficar 3 anos mofando no ensino médio.

Quem quer passar no vestibular, tem que fazer cursinho ou contar com a sorte ou as duas coisas.

Anônimo disse...

ae professor concordo com vc meu nome e elilson junior seu aluno do rui barbosa do 2 eg 2 da manhã, no lugar dessas gincanas porque naum fazer um projeto aluno nota 10 com premiações as alunos notas 10

Anônimo disse...

Sou pai de aluno de escola pública estadual Raimundo Ribeiro de Sousa e concordo plenamente com suas colocações. Parece que no dia do vestibular, os alunos vão pintar parede ou dançar street dance...bem dançar, vão dançar mesmo. Sou professor do município e vejo a forma equivocada que os projetos são alardeados nas escolas. Eles têm a falsa ilusão que a escola cumpre sua responsabilidade social, que sai da mesmice de sala de aula, que busca uma educação cidadã. Quanto engano! Parece que os professores não são licenciados, mas "promoters". Escola boa precisa trabalhar os conteúdos - aliás, sou um professor extremamente preocupado com o conteúdo. A emancipação dos alunos nas escolas ocorrerá através do conhecimento, evidentemente que a responsabilidade social é importante, mas acredito que esta deve estar aliada à formação de opinião. O resto é só enrolação! Viva a Escola Crítico-social dos conteúdos. Deus salve nossos filhos !
Obrigado pela matéria, Prof. Augusto! Isso estava entalado na minha garganta e paciência. Seria interessante o Conselho Estadual de Educação, 18ª URE ou demais órgãos atentarem-se para esse extermínio de aulas!