segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Os números desnudam o equivoco da prova unificada e do rumo que tomou a educação em Tucuruí

A semana que passou foi de avaliação na rede municipal de ensino e mais uma vez alunos e professores tiveram que encarar a chamada “prova unificada” da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Mais uma vez, também, tiveram que engolir a seco uma prova desaprovada pela maioria, cheia de erros gramaticais, desacertos pedagógicos e limitações intelectuais.

Quando leio a tal prova unificada começo a me perguntar onde iremos parar, pois a impressão que tenho é que a educação em Tucuruí está entregue a pessoas com muito pouca capacidade para geri-la, enfrentar e dar solução aos muitos problemas e dificuldades que, já sabemos, são inerentes à mesma.

Ainda não ficou claro para os educadores do município qual é realmente o objetivo da prova unificada. A que veio finalmente? É medir a evolução do processo educacional? Seria avaliar o trabalho do professor em sala de aula? Seria talvez melhorar a qualidade da avaliação? Já fiz essa pergunta diretamente a vários membros da equipe da SEMED, mas as respostas sempre foram evasivas. A impressão que tenho é que não existe realmente um ou mais objetivos concretamente traçados.

O fato é que nenhum dos supostos objetivos citados acima foi ou será alcançado sem os devidos investimentos nas escolas. Insisto em dizer que o professor trabalha sem nenhum tipo de recurso didático na maioria das unidades de ensino e onde existe é insuficiente. O professor conta apenas com seu talento na sala de aula, o que para uma educação de qualidade é insuficiente no mundo contemporâneo.

Nunca fiquei sabendo, por exemplo, de nenhuma estatística apresentada tendo como fonte os números da prova unificada. Por que será? Se esses números fossem positivos talvez merecessem nem que fosse um cantinho em uma página qualquer da revista elaborada pela SEMED, que tenta cobrir com cores fortes e alegres a cinzenta realidade da educação no município.

Enquanto não temos uma avaliação oficial tomei a liberdade de dar uma olhadela em alguns desses números e sabe o que eu descobri? Nem queiram saber, ou melhor, queiram sim! Os números são da escola Telles de Menezes do turno da tarde. É uma pequena amostra, mas que acredito reflete o todo, não só da escola, mas também do conjunto das unidades sob responsabilidade da SEMED. Vamos lá.

Dos 74 alunos concluintes (8ª Série ou 9º ano) apenas 3 conseguiram tirar a nota máxima (5,0 pontos) em alguma(s) da(s) prova(s) das sete principais disciplinas ofertadas (Português, Matemática, História, Geografia, Ciências, Inglês e Filosofia), ou seja 4%. Apenas 9 alunos conseguiram acertar mais da metade das provas na maioria das sete disciplinas (em pelo menos quatro disciplinas), ou seja, 12,16%. Se considerarmos apenas a disciplina Português, teremos apenas 3 alunos com êxito em mais da metade da prova, ou seja, 4%. E se for Matemática teremos 5 ou 6,75%.

São números inacreditavelmente negativos e que refletem exatamente o tratamento que a atual gestão dispensa à educação em Tucuruí. Mas Com certeza, na estrábica visão pedagógica da SEMED, os números apresentados são de inteira responsabilidade dos professores que ganham muito bem, segundo disse o prefeito nas rádios, e que deveriam dar mais de si por um resultado melhor. Onde vamos parar?

Um comentário:

Anônimo disse...

Se na rede municipal já se tem dificuldades, agora imagine como não vai ser quando a 16ª URE implantar o mesmo esquema,alguns pontos de dúvida: uma única máquina copiadora pra atender toda a regional e que mesmo quando as provas são marcadas com bastante atencedência ainda insiste em quebrar, o que é devidamente justificado pela sobrecarga de uso da mesma; como fica a questão da diferença entre as carga horárias das séries regulares do dia em relação as da noite, como é que os professores vão elaborar uma prova única simplesmente com base no planejamento de conteúdos, sem levar em consideração a situação de cada uma das escolas exatamente por causa dessa diferença da quantidade de aulas dos turnos diário e noturno; será que a URE vai mesmo ter condições de receber as provas elaboradas em tempo hábil, ora se dentro de um município isso não acontece, em uma escola os pobres dos técnicos não conseguem receber as provas no prazo estipulado imagine as provas vindas de cinco municípios diferentes e pra entregar as provas de volta nos municípios, o prazo precisa ser de um bimestre de antecedência. Se for pra citar todas as dúvidas e possíveis dificuldades o blogger e seus leitores iriam se cansar devido à extensão do texto, mas pra finalizar só quero dizer que desejo mesmo muita sorte pra nós que trabalhamos nas escolas.