sábado, 3 de setembro de 2011

Lula defende Dirceu e reclama por ter de explicar 'mentiras'

Lula, Dilma e Dirceu no IV Congresso do PT que iniciou ontem em Brasília
Laryssa Borges
Direto de Brasília

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que dá aval para que o 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT) aprove uma espécie de desagravo ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, alvo de uma reportagem de revista Veja na qual é acusado de ter um gabinete informal em um hotel de Brasília para "conspirar" contra o governo Dilma Rousseff.

"Não é possível as pessoas construírem as mentiras que quiserem construir e a gente é que tem que depois explicar para a sociedade brasileira", afirmou o ex-presidente na abertura do congresso petista em Brasília.

Na quinta-feira, Dirceu chamou de "ridícula" a reportagem de Veja. "Eu tenho atividade política, converso com ministros e senadores. São meus amigos há 30 anos. Sou consultado, sou ouvido", afirmou, em entrevista ao Jornal da Record News sobre as imagens de câmeras de segurança do Hotel Naoum, onde seu apartamento teria sofrido tentativa de invasão pelo repórter da semanal. Chamado pela revista de "poderoso chefão", o ex-ministro riu quando foi questionado se tinha "superpoderes". "Sou filiado ao PT, não tenho cargo no governo. Quem sou eu para influenciar (o governo)? Quem influencia é o PT."

Entre os visitantes recebidos por Dirceu entre os dias 6 e 8 de junho, período que coincide com a queda de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil, estão o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o deputado federal Eduardo Gomes, do PSDB. Embora não tenha tido acesso ao teor das reuniões, Veja diz que elas serviriam para articular um "governo paralelo" encabeçado por Dirceu, que não teria deixado de tomar decisões mesmo ao longo dos seis anos em que esteve afastado de qualquer cargo político, depois de ser apontado como um dos responsáveis pelo mensalão petista.

Na chegada ao congresso, Dirceu tangenciou o assunto ao afirmar que o partido deverá propor a regulação dos meios de comunicação de massa e a "luta contra a corrupção". Ele defendeu a consolidação de uma reforma política para atuar como "antídoto contra a corrupção" e disse que, na avaliação petista, uma reforma tributária deve contemplar a taxação de "grandes fortunas, herança e doação e lucros extraordinários e financeiros".

Fonte: Portal Terra

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