terça-feira, 2 de agosto de 2011

Emater elabora diagnóstico sobre famílias afetadas pela hidrelétrica de Tucuruí

Uma imensa área foi alagada expulsando centenas de famílias
Desde julho, o escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Tucuruí, no sudeste do estado, está mapeando mais de 300 famílias campesinas historicamente afetadas pela construção da hidrelétrica, que na década de 80 tiveram que abandonar suas casas à margem do rio por conta da inundação das terras e se mudar, sem planejamento, para outras ilhas dentro da região transformada em lago. O mapeamento faz parte de uma força-tarefa coordenada pelo Movimento dos Atingidos pelas Barragens (MAB).
A ideia é que um perfil socioeconômico de cada agricultor e o georreferenciamento de cada propriedade possam facilitar e respaldar a inclusão em políticas públicas, como crédito rural, assistência técnica sistemática e mercados governamentais, nas linhas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
As famílias são formadas por pescadoras artesanais e mantêm roças de subsistência. “Mas, sendo o Lago um ecossistema muito mais limitado em relação ao que era o rio, a pesca artesanal indiscriminada acabou minando algumas espécies. Hoje, praticamente falta peixe”, explica a pedagoga da Emater, Zélia Marques. Segundo a Empresa, a venda atual de pescado resulta em uma renda familiar de no máximo R$ 300 reais – pouco mais da metade de um salário-mínimo.
Uma das soluções, considerando a continuidade da tradição de pesca, seria a piscicultura em tanques-rede, que inclusive já está sendo estimulada entre outras 153 famílias de Tucuruí, por meio de um projeto das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte) chamado “Ipiriá’. O grupo do Ipiriá, que também foi cadastrado pela Emater, mora na zona urbana do município e cria a espécie pirapitinga em tanques-rede instalados no parque aquícola do Breu 3.
A primeira despesca, prevista para setembro, está estimada em 17 toneladas, cuja comercialização para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está sendo negociada pelo MAB e pela Cooperativa Mista dos Pescadores, Trabalhadores Rurais, Urbanos e Extrativistas do Lago Tucuruí (Coopab), da qual a Emater espera emitir a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ainda neste semestre, justamente para que a entidade possa assumir contratos oficiais. O diagnóstico elaborado pela Emater, que deve ser concluído em outubro e também deve fortalecer a reaproximação entre a Empresa e a Eletronorte, no sentido de firmarem parcerias mais amplas, como a assinatura de convênios.
Aline Miranda - Ascom Emater
www.agenciapara.com.br

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