segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ver. Tom: "Eu tenho posição firmada com relação a isso. Eu sou contra a divisão do Estado do Pará"


O debate sobre a divisão do Estado do Pará continua e daqui pra diante a tendência é que os discursos se inflamem ainda mais. Trago agora a opinião do vereador de Tucuruí e sindicalista atuante na área da educação, Tom Bonfim (PT). Nascido em 1974 na cidade de Capanema, no nordeste paraense, migrou para Tucuruí em 1986, sendo eleito para seu primeiro mandato de vereador nas eleições de 2008. Em entrevista com o vereador, repeti a mesma pergunta que fiz aos outros entrevistados: você é a favor da divisão do Pará? Com a palavra Tom Bonfim:
Ver. Tom Bonfim

"O que está no imaginário é que é fundamental dividir pra vida melhorar e essa não é uma verdade. Vamos imaginar o tamanho do Brasil. Será que teríamos que dividir o Brasil também?"

“Eu estava vendo semana passada que tramitam no Congresso Nacional mais de cinquenta pedidos de criação de novos estados, então eu acho que esse sentimento separatista em alguns casos até procede, mas o certo é que a coisa é bem mais pragmática do que isso. Não basta apenas ter o sentimento e perceber que os governos não conseguem atingir e transformar a vida das pessoas nos rincões desse estado, que realmente é muito grande. Eu não acredito que a divisão vá resolva esse problema. Eu tenho posição firmada com relação a isso. Eu sou contra a divisão do Estado do Pará. Não me deixo embarcar por questões eleitorais quando da formulação da minha posição.
Há um movimento, que não é recente, pró criação do Estado do Carajás, mas, paralelo a isso, surgiu um debate, inclusive do IPEA para se verificar a viabilidade econômica do Estado do Carajás e se verificou que o Estado não é viável do ponto de vista econômico. Ele não se sustenta.
Fora isso teríamos, um impacto: a nova demanda que surgiria com a criação de uma nova Assembléia Legislativa, criação de cargos federais, de senadores (no mínimo três). Certamente esse último caso, de criação de cargos para o Congresso Nacional, seria positivo para o Norte como um todo. É mais representatividade, já que o Norte do Brasil é pouco representado no Congresso por que tem poucos estados e a população é pequena, então consequentemente o número de deputados federais é menor. E por termos poucos estados a quantidade de senadores também é menor. Daí a conseqüência de tudo seguir no rumo de Sul e Sudeste do país.
Mas eu acho que é importante o município de Tucuruí estar pautando o debate. Tucuruí ficaria na fronteira. Daqui pra Marabá é quase a distância que daqui pra Belém e no caso da divisão, a capital certamente seria Marabá entre os 39 municípios que comporiam o novo Estado do Carajás. Mas o que iria mudar do ponto de vista estratégico pra gente aqui de Tucuruí? O que iria mudar para as pessoas? Por muito tempo a referência continuaria sendo Belém por que Marabá não tem a mesma estrutura que Belém tem e pra ter demorará, se é que um dia chegará a isso, décadas e décadas.
Eu vejo a divisão com muita cautela. Por isso que eu não saio por aí divulgando qual é a minha posição pessoal pra não formar as pessoas por que seria um debate isolado.
O que está no imaginário é que é fundamental dividir pra vida melhorar e essa não é uma verdade. Vamos imaginar o tamanho do Brasil. Será que teríamos que dividir o Brasil também pro governo central conseguir chegar em Roraima, no Rio Grande do Norte ou no Rio Grande do Sul? Então eu não acho que a saída seja a divisão, pelo contrário. Eu acho que tem que ser discutida uma pauta programática para o Estado.
Teremos a capital em Belém? Tudo bem, mas qual é o plano de metas do governo para as regiões Oeste, Sul e Sudeste? Eu acho que o caminho é por aí, o de fazer o governo do Estado olhar com mais atenção e trazer o desenvolvimento, sobretudo desenvolvimento sustentável por que estamos falando da Região Amazônica. Eu acho que o capital humano, a inteligência humana teria que se voltar pra isso, pra pensar como é que nós vamos desenvolver essas regiões que sempre foram abandonadas.
O Sul do Estado, por exemplo, tem uma relação muito mais forte com o Centro-Oeste do país. O Oeste tem relações com outros estados, e agora com essas obras do Estado de Rondônia, a relação será muito maior com aquele Estado como sempre foi com o Mato Grosso.
Então eu acho que a gente tem que reformular o debate, principalmente aqueles que estão interessados em dessombrear essa situação e reorientar o debate no sentido de qual é a demanda propositiva do governo, qual é a articulação dos consórcios dessas regiões, das prefeitura dessas regiões para o nosso desenvolvimento sustentável.”

8 comentários:

Anônimo disse...

TAPAJÓS E CARAJÁS DEVEM SER EMANCIPADOS.
SERÁ BOM PARA O PARÁ, SERÁ BOM PARA O BRASIL.

“A criação dos estados do Tapajós e Carajás é o maior projeto de desenvolvimento econômico do País que se discute hoje, temos que levar em conta os benefícios da região Norte e da Segurança nacional da Amazônia.

Anônimo disse...

Que divida o Pará!

Anônimo disse...

DECISÃO DO TSE É INCONSTITUCIONAL E INVALIDA O PLEBISCITO.

A MAIORIA ESMAGADORA, dos eleitores estão na região metropolitana de Belém , ou seja 70% estão no estado "mãe" que ficará com o futuro Pará. Essa região é contra, quase impossível o SIM ganhar, um golpe que levará para o ralo 200 anos de luta.

Anônimo disse...

TODO O ESTADO DO PARÁ IRÁ AS URNAS PARA DECIDIR SOBRE A EMANCIPAÇÃO, CLARO QUE A REGIÃO DE BELÉM QUE CONCENTRA AS ELITES É CONTRA.


ISSO É GOLPE na emancipação.

Uma parte de um município quando quer se emancipar , somente a parte a ser emancipada é quem vota. No caso do Pará, a maioria esmagadora de eleitores está na região de Belém que é contra. Cerca de 90% dos eleitores do estado “mãe” estão contra. Para se ter uma idéia, foi realizado um plebiscito na UFPA, de 198 alunos, 180 votaram contra e 18 a favor a emancipação da região sudeste e oeste

.
O Comitê Pró-Carajás, no entanto, declarou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal, STF, sobre a decisão do TSE quanto a área onde deve ser feita a consulta plebiscitária.

Anônimo disse...

A oportunidade de EMANCIPAR o Tapajós é unica, não podemos perder ess a oportunidade e jogar fora séculos de luta.
Temos que nos mobilizar porque o tempo é curto e os inimigos estão se articulando contra o plebiscito. É agora ou nunca, se bobearmos o sonho pode acabar. NÃO PODEMOS PERMITIR QUE A POPULAÇÃO QUE VIVE NA REGIÃO DE BELÉM VOTE. ELES NÃO SÃO PARTE INTERESSADA COMO DIZ A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, PELO CONTRÁRIO, ELES SÃO PARTE CONTRÁRIA E SÃO CONTRA. A POPULAÇÃO DE TAPAJÓS E CARAJÁS QUE É MINORIA, PORQUE ISSO SERIA GOLPE DOS POLÍTICOS DAR A CHANCE A MAIORIA VOTAR CONTRA O PROJETO. REPITO, A REGIÃO DE BELÉM NÃO É PARTE INTERESSADA.QUEM DEVE VOTAR É A REGIÃO OESTE E O SUDESTE, CASO CONTRÁRIO É GOLPE.

Anônimo disse...

A criação do Estado do Tapajós e acredita que esta é a única possibilidade que Oeste do Pará tem para se desenvolver, para dar mais condições de vida digna a seus habitantes. Isso se faz necessário devido à total ausência do Governo do Estado nos 27 municípios que integram O FUTURO ESTADO DO TAPAJÓS. Você já reparou que só ouvimos falar em recursos e convênios para construção de algo na região quando se aproximam as campanhas eleitorais. E ainda há cidadãos que se recusam a aceitar a criação do Estado do Tapajós simplesmente porque não quer deixar de ser paraense. Que orgulho é esse de um Pará que nos exclui? De um Pará que só se preocupa com Região Metropolitana de Belém?

Não posso ter orgulho de um pai que me deixa sem água de qualidade, sem escola, sem a possibilidade de entrar num curso de nível técnico ou superior; de um pai que não cuida da minha saúde e que só se lembra de mim raras vezes, de quatro em quatro anos, quando sabe que eu vou poder fazer a diferença nas urnas.

Em Oriximiná, por exemplo, a COSANPA, não consegue abastecer todas as residências. Para que o povo não fique sem água, a Prefeitura mantém inúmeros micro sistemas de abastecimento pelos bairros da cidade. E acreditem, do pouco que resta para a responsabilidade da Estatal, ainda há morador que sofre com a falta um abastecimento regular.

Quanto às escolas de Ensino Médio, podemos começar pela falta de equipamentos, de professores, de reparos nas instalações. Depois de muitos anos de luta, finalmente a Escola Nicolino conseguiu ser reformada. Devido à distância entre o município e a Capital, os gestores das instituições de ensino acabam recorrendo à Gestão Municipal para conseguir sanar seus problemas mais imediatos.

Agora o mais triste é ver os filhos daqui viajando para Manaus, Belém e até mesmo Santarém para buscar qualificação profissional. Quem não quer ser professor, e ainda de áreas limitadas, deve sair de sua terra natal. E aqueles que não têm condições de sair? Que possibilidades lhes restam para prosseguir seus estudos? Depois de incansáveis e intermináveis súplicas e promessas, parece que finalmente vamos ter uma Escola Técnica, a obra foi iniciada em abril e parece que não anda, mas com esperanças um dia chegaremos lá...

Eu poderia passar horas escrevendo sobre a situação de nosso povo que, diga-se de passagem, Oriximiná ainda é privilegiada em relação a outros municípios, isso em função da presença da mineradora de bauxita, mas até quando poderemos contar com essa condição? Se a coisa por aqui não é das melhores, imagina em cidades como Terra Santa e Faro. Em sua cidade, por exemplo, como anda a participação do Governo do Estado? Observe as intuições Estaduais, veja como elas funcionam, qual a qualidade do serviço que oferecem e, certamente, você vai ver que precisamos de um governo mais perto da gente, mais perto de nossa realidade.

Você já deve ter lido ou assistido a alguma matéria mostrando somente fatores negativos em relação á criação do Estado do Tapajós. Mas não se engane! Essa é uma tentativa de ludibriar nosso povo para que sejamos contra o avanço, o fim do abandono de nossa região. E sabe por quê? Porque desmembrar o Pará, significa perda de receita para o Estado e posteriormente, perda de investimentos para região metropolitana, pois é lá que são investidos os nossos impostos, os nossos royalties. Agora eu pergunto: Quem gosta de perder dinheiro? Eu não gosto, você gosta? Então, no dia 11 de dezembro vote A FAVOR DA CRIAÇÃO DO ESTADO DO TAPAJÓS E VAMOS CRIAR A NOSSA NAÇÃO TAPAJOARA!!! Professores, esclareçam seus alunos! Padres e Pastores, debatam o assunto com seus fiéis! Associações e Sindicatos, chamem seus sócios para a discussão. O Nosso Estado do Precisa da mobilização de todos para podermos conquistar a nossa Carta de Alforria!

Anônimo disse...

Um sonho de quase 200 anos
Do leitor Sebastião Gil da Lalor Imbiriba, a propósito dos anseios de EMANCIPAÇÃO da região oeste do Pará e do plebiscito que vai decidir essa parada, provavelmente no final deste ano:

"Meu filho atingiu a maioridade.
Meu filho se formou.
Adeus filho amado.
Deus te acompanhe...
... Vote SIM pelo Tapajós".

Do mesmo Sebastião, a um conhecido que contestou seu posicionamento em favor da divisão:

Tenho 80 anos, 8 filhos, 15 netos e 1 bisneto. Exceto o bisneto, ainda pequeno, todos cresceram, estudaram, amadureceram e saíram de casa, cada um buscando a própria felicidade. Logo, meu bisneto seguirá seu próprio caminho. Assim é a vida, é natural.
O mesmo acontece com municípios, províncias e países. Veja o caso da Iugoslávia, agora são 6 países: Eslovênia , Croácia, Montenegro , Macedônia , Bósnia-Herzegovina, Servia. Veja o caso do Grão Pará, agora são 9 estados: Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre.
O sonho de liberdade dos filhos do Pará d'Oeste e formar o Estado do Tapajós tem 188 anos. Por favor, atenda ao pedido deste velho, não destrua esse sonho, deixe que outros votem "SIM" pelo Tapajós.

Prof. Augusto Magalhães disse...

Apesar de ser a favor da divisão (e eu sou de Belém) acho que é justo todos participarem, pois a Região Metropolitana também é parte interessada. Se fosse fazer o plebiscito só com a parte que vai se emancipar nem precisaria fazer.