domingo, 10 de abril de 2011

Discurso apocalíptico esconde as verdadeiras necessidades do povo tucuruiense

De vez em quando ouvimos um discurso apocalíptico na rádio, sempre depois do meio dia: Tucuruí vai acabar, é o fim dos tempos, somos suporte de Marabá (...). E a lamentação continua. Imagino que o mesmo discurso era feito quando findava o ciclo da castanha e também quando a estrada de ferro dava sinais de esgotamento.
Tucuruí acabou? É claro que não. Ao contrário, se reinventou. Veio a usina hidrelétrica e o Município enriqueceu, tornando-se a quinta maior economia de um  Estado que tem 144 municípios, urbanizou-se como poucas cidades na Amazônia e experimentou um “bum” populacional que já chega a quase 100 mil habitantes.
É verdade que as obras acabaram e que sentiremos alguma diferença, porém Tucuruí não vai regredir como se anuncia. Continuaremos a ser um município importante, o maior produtor de energia do Brasil e ainda teremos uma das maiores arrecadações do Estado. O que falta é gerenciar bem a cidade, priorizar os investimentos, combater a corrupção.
Ah, mas isso não se fala naquele microfone, pois está plugado diretamente nos cofres públicos, alimentando-se de parte dos recursos que deveriam ir para a educação, saúde e outros setores sociais. Sem investimentos nas áreas sociais é que o município pode ir à falência.
Investir mais e melhor na educação, por exemplo, iria preparar nossos jovens para assumir posições importantes na indústria local. Indústria local? Claro, produzimos energia e queremos ter mão de obra especializada para dirigir a UHT e não apenas barrageiros. Quem sabe não podemos, no futuro, exportar mão de obra para os novos empreendimentos que surgem no setor em todo o Brasil, principalmente na Região Norte? Precisamos de engenheiros, técnicos qualificados, etc.

Porto pra que?
Outra frase vazia que se ouve é “ficaremos a ver navios”. Que bom. Pelo menos teremos algo pra nos distrair nesse município que tem um imenso potencial turístico, mas que não recebe investimentos. Isso também não se fala. Porto pra que? O que temos para exportar sai pelos linhões, levando progresso para o Brasil. Além da energia, o que mais exportamos que justifique o investimento do Governo Federal em um porto? Só se for pra degredar um punhado de políticos safados que tem por aqui.
Cabe à prefeitura melhorar nosso cais, o que não precisaria esperar pelas eclusas, pois a cidade sempre teve à sua disposição um trecho navegável do Rio Tocantins. Os grandes navios que se espera passar por aqui levarão principalmente minério de ferro. Não precisarão parar em Tucuruí nem pra fazer uma boquinha.

4 comentários:

Anônimo disse...

"Microfone plugado diretamente nos cofres publicos"? kkkkkkk
Perfeita definição professor!

Outra frase que eu sugiro é o famoso 'OK! OK!', de quando alguem vai falar mal do "lugar onde ta ligado esse microfone".

A Verdade disse...

Comentário Corretíssimo, Assino aonde?

Anônimo disse...

Uma boa reflexão!
Esse município tem tudo pra crescer e apesar das poucas aplicabilidades dos recurso financeiros, que digasse de passagem é maior que de muitos municípios do baixo Tocantins, vem crecendo. Um bom planejamento e um gestor comprometido pode contribuir bastante neste crescimento, no entanto é preciso saber votar.

Anônimo disse...

Você tem toda razão, Tucuruí tem potencial pra muito mais do que ser mero produtor de energia pra benefiar o desenvolvimento alheio, que o diga a vocação do município pro turismo que não é explorada e a possibilidade de investir na educação como forma de atrair recursos como fizeram e fazem muitas cidades do interior do Brasil. Ano que vem tem eleições pra Prefeito, pode-se dizer que o nosso papel de educador é difícil mas ainda assim possível, ou seja, precisamos trabalhar arduamente na conscientização de nossos jovens para que possam ir as urnas no intuito de melhorar nosso município, pois, são principalmente eles os jovens quem mais podem sofrer com a falta de comprometimento da gestão pública municipal em estar buscando alternativas de desenvolvimento pro nosso município, sem precisarmos lamentar eternamente pelo fim da segunda etapa e obras da eclusa, temos que tentar fazê-los entender quanto a necessidade e importância de um voto consciente.