sábado, 23 de abril de 2011

Editorial da Carta Maior critica as duas caras da mídia brasileira e compara ato grave de Aécio no Rio com gafe de Lula em Tucuruí


O editorial da revista Carta Maior, publicada neste domingo (24/04) traz uma interessante reflexão sobre os dois pesos e duas medidas da imprensa brasileira. Mostra como esta tenta amenizar a falta grave de Aécio Neves, que foi pego dirigindo embriagado e com a carteira vencida, enquanto que não perdoa um deslize do presidente Lula que, em Tucuruí, jogou uma embalagem de bombom no chão. Veja:


A cara da mídia nativa

Sem dúvida o fato mais chocante no episódio da blitz da Lei Seca, no Rio, que flagrou Aécio Neves dirigindo com habilitação vencida e metabolicamente impossibilitado de soprar o bafômetro, não foi o fato em si, mas o comportamento da mídia demotucana.Os blindados da 'isenção' entraram em cena para filtrar o simbolismo do incidente, 'um episódio menor', na genuflexão de um desses animadores da Pág 2 da Folha. Menor? Não, nos próprios termos dele e de outros comentaristas do diário em questão. Recordemos. Em 24 de novembro de 2004, Lula participou da cerimônia de inauguração de turbinas da Usina de Tucuruí, no Pará.
No palanque, sentado, espremido entre convidados, o presidente comeu um bombom de cupuaçu, jogou o papel no chão. Fotos da cena captada por Luiz Carlos Murauskas, da Folha, saturaram o jornalismo isento ao longo de dias e dias. Ou melhor , anos e anos. Sim, em 2007, por exemplo, dois colunistas do jornal recorreriam às fotos de Tucuruí para refrescar o anti-petismo flácido do eleitor que acabara de dar um novo mandato a Lula.
O papel do bombom foi arrolado por um deles como evidência de que o país caminhava a passos resolutos para a barbárie: "Só falta o osso no nariz', arrematava Fernando Canzian (23-07-2007) do alto de sofisticada antropologia social.
Sem deixar por menos, Fernando Rodrigues pontificaria em 09-04-2007: "...Respira-se em Brasília o ar da impunidade. Valores republicanos estão em falta. Há exemplos em profusão (...) em 2004, Lula recebeu um bombom. ... O doce foi desembrulhado e saboreado. O papel, amassado. Da mão do petista, caiu ao chão. Lula seguramente não viu nada de muito errado nesse ato. Deve considerá-lo assunto quase irrelevante. ...Não é. No Brasil é rara a punição - se é que existe - para pequenas infrações como jogar papel no chão. Delitos milionários também ficam nos escaninhos do Judiciário anos a fio (...) Aí está parte da gênese do inconformismo de alguns, até ingênuos, defensores de uma solução extrema como a pena de morte. Gente que talvez também jogue na calçada a embalagem do bombom de maneira irrefletida. São "milhões de Lulas", martelava o jingle do petista. São todos a cara do Brasil..."

Um comentário:

Anônimo disse...

Embora o Lula tenha errado em sua atitude de jogar o papel no chão, posso dizer seguramente que ninguem corria risco de vida em função disso... agora o mesmo eu não posso dizer do Aecio dirigindo, provavelmente mamado, isso sim é um risco de vida, não queremos que aconteça com alguem o que aconteceu com aquele jovem, o qual teve sua vida ceifada por um deputado barbeiro.

E outra... logo de onde foram arrumar essa estoria da foto, da Folha de São Paulo... esse jornal já tem Pos-Doutorado na universidade do PiG, tanto que nós já temos até alguns adeptos por aqui tambem.

Quando é pra vir coisa boa pra cá, dificilmente vem... agora quando é coisa ruim, nem precisa chamar.