sexta-feira, 29 de maio de 2009

Greve na educação é um grito de alerta

“A greve continua e alunos continuam sem aula”. Essa é a manchete mais utilizada pela imprensa classista quando se trata de noticiar uma greve na educação, como a que está acontecendo atualmente na rede estadual de ensino. Eles fazem isso por que sabem que a maioria da população não tem o hábito da leitura e muito menos lê jornal. Quando muito passam uma vista nessas manchetes canhestras numa banca a caminho do trabalho.

A manchete mais indicada para a situação seria “Greve tenta salvar a educação”, pois é isso que está acontecendo. Não que após a greve todos os problemas estarão resolvidos, mas vai ficar para a sociedade que existe o problema e que o estado está falhando ao não encontrar uma solução. Afinal, a greve foi o último recurso lançado por essa categoria. Antes dela vieram inúmeras negociações, reuniões, assembléias, propostas e contra-propostas. Todas ignoradas.


É preciso valorizar o profissional da educação


Uma das reivindicações dos trabalhadores da educação é a valorização profissional, o que se traduz basicamente no recebimento de um salário digno. Um salário digno seria objetivamente um ganho mensal que suprisse as necessidades do profissional e sua família, como alimentação, transporte, saúde e lazer, no mínimo.

Então vamos aos números. O salário base de um professor é R$ 433,00 (o salário mínimo é R$ 465,00) e o auxílio alimentação é de R$100,00. Vale transporte praticamente não existe, é um engodo. Com o aumento proposto pelo governo um professor que recebe o salário base teria um aumento de aproximadamente R$ 25,00.


Aumentando salário aumenta a qualidade do ensino


Você deve estar dizendo: “mas um professor não ganha só isso”. É verdade quem trabalha mais ganha mais. Por isso é que tem professor trabalhando três períodos, ou seja, sai às 7:00 h. de casa e volta às 23:00 h, com paradas apenas para as refeições.

Isso significa uma jornada de no mínimo 15 horas diárias, ou seja, sobram 9 horas para a família e para o lazer, sem contar que precisamos dormir, elaborar e corrigir provas e apostilas, planejar aulas, preencher diários de classe, etc. Diante dessa situação não pode haver qualidade no ensino.


PS: A foto acima, de Wagner Méier, que ilustrava a capa do jornal Diário do Pará do dia 28/05/2009, mostra um protesto dos professores: o enterro simbólico da educação na sede da Seduc.

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